quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Chance

Ontem não escrevi porque basicamente não tinha novidades.
Foi um dia calmo, sem muitos clientes e nenhuma história interessante para contar. 

Mas hoje tenho. 
Estava eu na cozinha a lavar alguma loiça dos primeiros clientes da manhã quando tenho a sensação de ouvir falar português no restaurante. Fui verificar e confirmou-se. 
As portuguesas que habitualmente vão lá beber um cappuccino e comer uma torrada estavam na mesa junto à janela.
Queria meter conversa mas estava lá dentro a lavar a loiça. Tinha que terminar aquela tarefa antes de regressar à sala. Despachei-me e tentei ficar com atenção para o caso de se levantarem para irem embora. Demoraram cerca de 5 minutos e eu ainda não tinha terminado tudo. Deixei o que estava a fazer e fui até à sala fazer "qualquer coisa". 
"qualquer coisa" servia só mesmo para dizer olá e esperar que elas me trouxessem algumas novidades sobre uma qualquer oportunidade lá na escola onde trabalham. 
Na última visita a senhora tinha-me dito que tinha falado com a professora e que era complicado porque precisava de uma série de requisitos e papelada só mesmo para entrar na escola (como por exemplo o registo criminal feito pela polícia inglesa). 
Mas mesmo assim tinha esperança que pudesse ter alguma novidade. E tinha. 
Disse-me que tinha falado directamente com a directora da escola sobre o meu "caso" e que ela tinha dito que era possível eu fazer um estágio ou ser professora assistente. Tinha que ir lá para conversar e perceber o que era realmente necessário (burocracias e papelada). 
Perguntei-lhe se era possível ir já amanhã uma vez que não vou trabalhar porque já tenho a entrevista marcada (desde que cheguei) para conseguir o meu "National Insurence Number" (Nº da Seg. Social). 
Respondeu-me que era melhor ela combinar primeiro com a directora. Disse-lhe que era melhor ser o "quanto antes" porque vou embora para Portugal daqui a duas semanas. 
- Ah, então o melhor é ser depois quando voltares. - disse-me. 
- Pois, mas eu não sei se volto.
- Então mas agora as aulas já estão a acabar. Assim é complicado. 
- Sim. Mas se for para ir para a escola eu volto. Só para trabalhar aqui (restaurante) é que possívelmente não regresso. 
Percebeu e disse que assim sendo ia tentar marcar a reunião para o mais breve possível. De qualquer forma, falou-me que precisava de um certificado qualquer (que não cheguei a perceber bem o que era porque conversámos um bocadinho à pressa) que demoraria cerca de um mês. 

Seria uma excelente oportunidade.
Mas não vou já criar grandes expectativas. 
Se acontecer, óptimo.
Se não acontecer, a experiência destes dois meses já foi muito boa. 
What will be will be. 

Como referi em cima amanhã não vou trabalhar porque vou tratar do Nº da Seg. Social. A entrevista é ás 9h50 e não deve demorar mais que uma hora, mas disse logo que não ia trabalhar o dia todo. 
Vou aproveitar para passear mais um bocadinho. 
Afinal de contas isto de sair só ao domingo é muito pouco para quem tem uma cidade como Londres para descobrir. 
Ainda não sei onde vou. 
Na altura certa escolho a direcção. 

What will be will be. 
(como sempre nesta aventura!)



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Clientes a menos, bagagem a mais

A inglesa voltou e, por isso, hoje voltei a entrar às 9h. 
Porém, já habituada à rotina da semana passada acordei às 7h antes do despertador (que estava programado para as 8h15). Virei-me para o outro lado e ainda dormi mais uma horinha. Mesmo assim voltei a acordar antes do despertador, mas desta vez já com o "sono feito".
Levantar, vestir, comer e internet e depois sair para o trabalho. 
Cheguei ao restaurante e o ambiente estava calminho. Sem muitos clientes. Na verdade, esteve assim o dia todo. Parece que é a gozar com uma pessoa. Quando estou sozinha vêem todos e mais os amigos, depois a outra volta e não vem ninguém. 
Ingleses, sempre ao contrário. 

Às 18h depois de sair fui a casa trocar de roupa e saí logo para ir outra vez ao "centro" de Londres para entregar algumas roupas e calçado à minha amiga que veio cá de visita (e que se vai embora amanhã). 
Estou com receio que na viagem de regresso não tenha espaço (e quilos) disponível para tudo. 
Tudo o que trouxe mais aquilo que tive que comprar aqui não ia caber na mala de porão de 20kg que comprei para o regresso. 
Entreguei roupa e calçado que trouxe mas que agora não é necessário. 
Mesmo assim, a ver vamos se vai dar para levar tudo para Portugal. 
Mas isso são preocupações para daqui a uns dias, não para hoje. 
(Por falar na viagem, a companhia aérea já me devolveu o dinheiro do bilhete que comprei errado - de Colónia para Lisboa. Que sorte que tive!)

Encontrámo-nos em Waterloo. Tivemos mais um tempinho juntos e depois voltei para casa. Foi a despedida porque eles regressam para Portugal amanhã ao fim da tarde. 
Foi muito bom estar estes três dias com eles. 
Deu para recarregar baterias para as três semanas que faltam. 

Em Waterloo aproveitei também para comprar os bilhetes de comboio para Birmingham para o próximo fim de semana. Yeah. 
Vou no sábado à noite (depois do trabalho) e volto no domingo à noite. 
(Tenho que aproveitar todos os tempos disponíveis para passear!)

Dia calmo. 

domingo, 25 de novembro de 2012

Londres com amigos


(Como disse no post de sexta-feira) Ontem, depois de sair do restaurante às 18h, fui ter com a minha amiga que veio a Londres de visita. Na verdade, passei o dia todo desejosa que as horas passassem para depois poder ir ter com eles - ela e o irmão - e matar as saudades. 
Depois daquele abraço do reencontro (e que abraço!) fomos jantar a Piccadilly Circus para poder pôr a conversa em dia e aproveitar para ver Oxford Circus e Piccadilly Circus à noite e já com as luzes de natal. 
Muito bom. 
Como nos encontrámos já eram quase 20h, a viagem entre minha casa e o "centro" de Londres demora, no mínimo, 30 minutos e hoje íamos passar o dia a passear juntos, acabei por passar a noite com eles no hotel. (À sucapa, pois claro!)
As viagens iriam ser tempo perdido. Foi uma boa opção, tendo em consideração que não fui apanhada. 
(Parece ridículo, eu é que estou a morar aqui e eu é que tenho que ficar com eles no hotel. Tenho a melhor colega de casa possível, não haja dúvida. "bitch" - desabafo)

Hoje conseguimos "picar o ponto" em vários locais importantes, mas a maioria eu já tinha visto. 
Passámos o dia todo a andar, literalmente. 
Planeámos ir logo pela manhã ao Tate Modern, mas acabámos por parar em vários locais antes do destino previamente escolhido. Primeiro em Regent's Park onde aproveitámos para tomar o pequeno almoço enquanto nos divertíamos com os esquilos, depois Houses of Parliament (Big Ben) e o Buckingham Palace (onde vimos, acho eu, o fim do "render da guarda"). Depois então o Tate Modern.
Apesar de não ser uma apreciadora de pintura/escultura, gostei bastante. Afinal de contas não é todos os dias que temos o privilégio de ver quadros verdadeiros do Picasso (e não só). Para surpresa minha, numa sala estavam três peças - construídas com materiais industriais e relacionadas com a luz - do português Pedro Cabrita Reis. 
A seguir ao Tate Modern (já por volta das 15h) fomos até Hyde Park para ver o Winter Wonderland. Pensámos que estava relacionado com o natal, mas rapidamente deu para perceber que eram só carrosséis, comércio e bancas de comida. Demos a volta numa hora e meia e no fim já eram 17h. 
Enquanto eles aproveitaram para ir a Oxford Circus às compras eu optei por vir para casa para poder descansar que amanhã é dia de trabalho. 
Adorei o dia. Principalmente, mas não só, porque deu para matar saudades. 
Baterias (quase) recarregadas. 

Entretanto no sábado o turco pagou-me a semana de trabalho: de segunda até sábado. Mais 50 libras do que o normal por ter começado às 7h e por ter estado sozinha todos os dias. 
Deu-me 230 libras (300 euros, mais ou menos). Nada mau.

Amanhã volto a entrar às 9h (isto se a inglesa não pensar faltar duas semanas seguidas). 
Depois de sair, às 18h, vou novamente ao "centro" de Londres encontrar-me com a minha amiga e com o irmão para entregar algumas coisas para levarem para Portugal. Na verdade, estou com medo que os 20kg de bagagem que comprei para a minha viagem não cheguem. Basicamente roupas e calçado que não me faz falta. Espero eu.

what will be will be. 

M&M word
Regent's Park


Ao pé do Buckingham Palace

Houses of Parliament - Big Ben

(Tate Modern)

(Tate Modern)

(Tate Modern)

(Tate Modern - Pedro Cabrita Reis)
(Tate Modern - Pedro Cabrita Reis)

(Tate Modern - Pedro Cabrita Reis)

Hyde Park - Winter Wonderland

Winter Wonderland


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Perfil

Mais um dia de trabalho das 7h às 18h.
Cansada, mas não tanto como ontem. 
No restaurante não se passou nada de especial, à excepção de ter ido lá, da parte da tarde, uma portuguesa à procura de trabalho. 
Ela entrou e veio ter comigo. Falou-me em inglês mas qualquer coisa me dizia que era portuguesa. (não me perguntem o quê porque também não sei). 
Perguntei-lhe de onde era e ela respondeu Portugal. 
Eu sabia, pensei para mim.
Disse-me que tinha chegado há uma semana e andava à procura de emprego. Estava a trabalhar num hotel mas o trabalho era muito "pesado". 
Perguntei-lhe logo se era no Travelodge (o mesmo onde eu estive). 
Respondeu que sim, e eu disse-lhe que também tinha estado lá, mas só quatro dias. 
Disse ao turco que ela estava ali para o emprego e ele disse-me para registar o nome e o número. 
Registei.
Estava com o marido, ambos (talvez) na casa dos 40 e tal. Ela disse-me que tinha o curso de Gestão e Contabilidade e ele era cozinheiro. Os dois à procura de emprego. 
(Mais um exemplo do que já disse em posts anteriores: estão muitos portugueses a vir para cá à procura do que não encontram no nosso país.)
Depois de saírem dei o número ao turco. Dobrou o papel e meteu no bolso. 
Virou-se para mim e disse: "Too big, darling. Too big."
(a senhora não era magrinha. ele disse que era difícil para depois se mover entre as mesas e conseguir fazer o trabalho como deve de ser.) De qualquer forma a rapariga que foi lá antes desta senhora portuguesa era de cor e ele disse que os clientes "ingleses brancos" não gostam de empregados negros. Será mesmo assim?! 
De qualquer das maneiras não fiquei nada agradada com esta "selecção" tão rigorosa. 
Mas, neste caso, sou só uma empregada (que, por acaso, encaixei no "perfil").

Mudando de assunto: 
Hoje chega uma amiga minha aqui a Londres. Vem de visita quatro dias. Ela e o irmão. 
Estou super entusiasmada para a ver. Estou cheia de saudades. 
Mas ainda não vai ser hoje, só amanhã depois de sair (18h) do restaurante. 
Eles eram para ficar em minha casa mas a rapariga que me alugou o quarto (e com quem partilho a casa) voltou com a palavra atrás e eles vão ter que ficar num hotel. (disse que a casa ficava muito cheia e ocupada)
(Estúpida! - desabafo)

Estou desejosa para que seja amanhã às 18h.
Depois dou novidades.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Busy birthday to me

Ontem, dia 21 de Novembro, foi o meu aniversário. 
Nunca mais me esquecerei que fiz 23 anos em Londres (yeaah!) a trabalhar 11 horas (menos yeaah!) e a ver, pessoalmente, apenas uma cara conhecida (nada yeah!). 
Inesquecível, portanto. 
Na prática, entrei no restaurante às 7h, trabalhei até às 18h, fui jantar ao Nando's às 20h (perto de Victoria) e às 22h30 estava em casa. 
Happy birthday to me. 

Hoje voltei a ir trabalhar às 7h e voltei a sair às 18h.
A trabalhar sozinha porque a outra inglesa ainda está a faltar. 
Esta semana tem sido de loucos. 
Primeiro comecei logo por não ter folga no domingo, depois desde segunda feira que estou a trabalhar sozinha a atender os clientes. 
Ou seja, eu sozinha faço o trabalho de duas. Chega às 15h e já estou de rastos. 
Mas hoje fiz questão de dizer isso aos turcos. 
Assim não aguento. 
Apesar de me pagarem mais (e que não é assim tanto!), é muito trabalho para uma pessoa só. 
Tirar cafés, chás e afins, levar as bebidas às mesas, receber os pedidos, servir os pedidos, recolher a loiça, limpar as mesas, arrumar a loiça, (...), varrer o chão, lavar o chão, lavar a máquina do café, (...).
(o restaurante tem 14 mesas, agora façam as contas.)
Assim não aguento. 

Hoje foi lá um dos patrões que nunca está lá. E pelos vistos é o "big boss", como os outros turcos dizem. 
Então não é que se vira para mim e diz que eu não posso ficar em Portugal, tenho que voltar depois das "férias" porque o restaurante precisa de mim e que os outros turcos lhe têm dito muito bem de mim e que gostam muito do meu trabalho. Depois disse-me baixinho: quando a minha esposa vier (não me perguntem de onde!?) eu vou comprar o resto do negócio e depois preciso de ti aqui. 
"O teu país será sempre o teu país, e isso tens garantido. Aqui é uma nova conquista." - dizia ele. 
Respondi que não sabia. 

Estou estoirada.

Para recordar... 


Jantar no Nando's


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Era uma vez dois turcos, uma portuguesa, um ucraniano (e uma nepalesa)

Ontem, segunda-feira, cheguei ao restaurante às 9h e ainda estava fechado. 
Outra vez. 
A minha colega inglesa estava outra vez "doente". Começo a perceber que os turcos têm razão para desconfiar que ela está a mentir. Pelo que tenho percebido só trabalha quando precisa de dinheiro, nomeadamente para tabaco, bebida e outras coisas mais fortes. Vive com o namorado e, pelos vistos, além de "padecerem" dos mesmos vícios e problemas com o trabalho não têm que pagar renda de casa, gás, luz, água, e por aí em diante. A rainha paga. Têm, os chamados, "benefits". Assim é fácil. 
Apesar de não estar lá ela, estava outra rapariga. Não a outra inglesa que foi da primeira vez que ela faltou mas sim uma nepalesa. 
A rapariga disse aos turcos que já tinha trabalhado num café, mas pelo que mostrou acho que deve ter sido com a mesma máquina de café que eu trabalhei antes de ir para lá, ou seja com aquela de cápsulas.  (não sabia, portanto)
O problema é que demorou demasiado tempo a aprender ou pelo menos a demonstrar que poderia aprender rápido. Além de não conseguir trabalhar com a máquina do café fez uns tantos disparates com os clientes, inclusivamente entornar um hot chocolate inteiro. 
Resultado: passadas duas horas foi-se embora. 
A rapariga tinha a mesma idade do que eu, já está está aqui há mais de um ano e está a tirar o ensino secundário. Quando perguntei se tinha vindo com a família (depois de saber a idade), disse-me que tinha vindo com o marido. Com o marido?! Acho que fiquei tão surpreendida com ela quando me disse que era casada como ela ficou quando lhe mostrei como funcionava a máquina de café e fazia um "latte" (aquela bebida com leite e café que fica com três cores em camadas). Ficava surpreendida com quase tudo. 
Fiquei a pensar na relatividade dos factos e experiências. 

Voltando ao restaurante: como a nepalesa foi-se embora só fiquei lá eu e os dois turcos. Eu a atender os clientes, um a cozinhar e o outro (o patrão) a lavar a loiça. 
Tumbas! Joana André, a manager e relações públicas do estabelecimento. 
Na hora do almoço chegou o ucraniano que trabalha em part-time. Ficou ele a lavar a loiça, os dois turcos a cozinhar e eu a atender os clientes. 
Às 18h, hora de fechar, estava exausta. 
Mas contente porque não me tinha enganado em nada e os clientes até foram dizer bem de mim aos turcos. 
Bom dia de trabalho. 

Hoje, como já se sabia que a inglesa não ia outra vez tive que ir às 7h. Ainda era de noite. 
Sem ninguém à experiência, fui só eu, os dois turcos e o ucraniano à hora de almoço. E safei-me outra vez. Sem enganos e a trabalhar cada vez melhor.
Os turcos adoram-me e os clientes velhotes também. Os turcos porque já os "safei" umas vezes (e tendo em consideração que estou cá só há um mês, eles acham espectacular) e os clientes porque falo imenso com eles (ou pelo menos tento e quando não percebo digo "yes" e fica a coisa resolvida). 
Tumbas! Joana André, a manager e relações públicas do estabelecimento. 

Amanhã começo, outra vez, às 7h. 
Para compensar, à noite vou jantar a Piccadilly Circus (ao Nando's, possivelmente) com os amigos de Tomar. 

Rua de casa às 7h

Rua do restaurante às 7h

domingo, 18 de novembro de 2012

Meia folga

Como disse ontem, hoje tive que ir trabalhar apesar do domingo ser o meu dia de folga.
No entanto, como o restaurante não estava com muitos clientes o "boss" às 13h30 disse que podia ir para casa descansar.
E eu vim. E descansei.
Ainda pensei em ir passear até ao centro de Londres, mas acabei por passar a tarde em casa.
Entre fazer outra sopa, lavar umas roupas, ver umas coisas na net, ver um filme e descansar um pouco passou-se a tarde.

Amanhã "começa" uma nova semana de trabalho.
Vamos a isso.

http://weheartit.com/entry/30961430